20 mil goianos tentam fugir da crise no exterior

A crise financeira mundial, que tem reflexos mais visíveis na Europa, América do Norte e no Japão, antecipa a volta de goianos que vivem no exterior e causa situação de penúria em muitos que não têm condições de arcar com os custos do retorno. Sem emprego, 20 mil goianos tentam voltar, estima o governo de Goiás. O número corresponde a 5% da colônia goiana, entre 350 mil e 400 mil pessoas. O assessor para Assuntos Internacionais, Ellie Chidiac, cita caso de família morando sob ponte na Espanha. A volta ficou mais difícil porque muitos países deixaram de deportar automaticamente os migrantes ilegais.

‘Não compensava o sacrifício de ficar longe’

crise

A crise econômica antecipou a volta de Letiza Júnia Nunes de Jesus, de 41 anos, para Goiânia. Há um mês ela desembarcou no Aeroporto Santa Genoveva, depois de viver os últimos cinco anos em Atlanta, na Georgia. “Fui para os Estados Unidos determinada a juntar dinheiro e voltar, não pensava em morar lá, mas também não estava em meus planos voltar agora”, contou Júnia ao POPULAR. Em Atlanta, ela, como a maioria das goianas, trabalhava com limpeza de residências.

“Quando estourou a crise, os americanos começaram a reduzir todas as despesas possíveis e uma das primeiras foi a da limpeza das casas. Perdi muitas clientes”, relatou. Fazendo as contas, Júnia percebeu que não estava mais compensando permanecer em solo norte-americano, longe dos três filhos que deixou provisoriamente em Goiás para tentar juntar dinheiro. “Não estava sobrando mais para juntar. O que eu estava ganhando era suficiente apenas para minha despesa”, diz. Foi aí que ela decidiu voltar. Júnia tem muitos amigos que também estão se preparando para o retorno.

A estudante Milena Vieira Nunes da Silva, de 23, veio antes, há seis meses. Ela também morava em Atlanta, onde viveu dez anos de sua vida junto com os pais, Walter e Alaurdes. Eles voltaram há um ano. Milena também perdeu parte da clientela de limpeza de residências. “Gosto muito de lá, está sendo complicada a adaptação”, conta a estudante.

Migrantes são primeiras vítimas do desemprego

Os migrantes são os primeiros a perder o emprego em situação de crise. Ilegais e sem documentação, eles não representam obstáculo legal nem encargos financeiros para os patrões. “A crise está muito violenta lá fora e a tendência é de demissão dos ilegais, que não vão representar altas despesas com indenizações para os patrões”, reconhece o chefe da Assessoria para Assuntos Internacionais do governo de Goiás, Ellie Chidiac.

“Direitos humanos, civis e trabalhistas são infringidos em países de primeiro mundo”, constata o assessor. Com o emprego reduzido, os custos para manutenção de migrantes no estrangeiro tornam-se insustentáveis. É o caso de uma goiana que está no Canadá e já prepara a volta a Goiânia. Ela abordou o assessor em um restaurante onde trabalha em Toronto. “Ela contou que foi demitida por ser estrangeira”, disse Chidiac.

O principal destino dos goianos que buscam o exterior são os Estados Unidos, que concentram hoje cerca de 250 mil goianos, de uma colônia estimada em 400 mil no mundo todo.

Em 2007, segundo o governo goiano, os migrantes mandaram para os familiares no Brasil cerca de R$ 1,2 bilhão, principalmente para a compra de imóveis. Este ano essas remessas devem cair para algo em torno de R$ 900 milhões, segundo Chidiac.

Fonte: O Popular
Goiânia, 26 de março de 2009

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